"E la nave va", disse Felini, transformando em filme-poesia, uma simples expressão idiomática, aquela, a vida segue. Poetas, compositores, escritores e filósofos de butiquim disseram e dizem o mesmo centenas de vezes, mas o peso desta simples frase as vezes pode partir um coração ou remendá-lo, pode ser consolo ou sentença implacável, ao gosto de freguês.
Aqui neste fevereiro, prestes ao nascimento do meu terceirinho (mais um menino), é impossível não sentir o peso de uma ficha enorme caindo sobre a cabeça. É mais um carinha que vem a este planeta, herdar meu código genético, dar uma nova extensão ao meu quinhão de "imortalidade". Há os que me dizem em tom sério "mais uma boca para alimentar, mais uma responsabilidade...", não sei se estão tirando sarro ou tentando me assustar, mas eu só tenho certeza de uma coisa: é perda total de tempo da parte deles. A primeira coisa que aprendi ao sentir o fluxo da vida foi que nossas escolhas nos trouxeram exatamente a esta porção do espaço tempo que chamo aqui e agora, e por esta conexão sei que tudo irá exatamente de acordo com o que eu escolher, e eu escolho a Vida e a Plenitude. Minhas escolhas anteriores não foram tão bem feitas quanto são agora, e sei que amanhã serão ainda melhores mais conscientes, mas o aprendizado nesta aventura na Terra é isto.
Meu xará Gilberto Gil, sabiamente cantou que "tudo agora mesmo pode estar por um segundo" e é a pura verdade. Se for ou se não for eu estou ai. Seguindo.
Tudo de Bom.
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